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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Relatório de Enfermagem - Parte 16

Anotação de Enfermagem na Administração de Medicamentos

A administração de medicamentos é um procedimento que pode ser realizado por alguns profissionais da saúde, no entanto, é uma prática realizada cotidianamente pela equipe de enfermagem. Requer conhecimentos de Farmacologia relacionados ao tipo da droga, aos mecanismos de ação e excreção e à atuação nos sistemas orgânicos, além de conhecimentos de Semiologia, Semiotécnica e avaliação clínica do estado de saúde do paciente.
O preparo dos medicamentos requer destreza na execução da técnica para evitar a contaminação das soluções durante a manipulação. As administrações por via intramuscular e intravenosa são propensas a complicações relativas à técnica. Esta tarefa requer cuidados especiais, que vão desde a lavagem das mãos antes do preparo da medicação até a administração propriamente dita, que deve ser realizada por profissionais capacitados.

A abrangência das questões éticas que envolvem a prevenção de falhas na administração de medicação remete-nos a uma reflexão mais ampla, pois se sabe que o Enfermeiro é responsável por todas as etapas do processo que envolve a administração de medicamentos, realizada por algum membro da equipe de enfermagem. A administração de medicamentos é uma das responsabilidades mais sérias que pesam sobre o Enfermeiro e a equipe de enfermagem que se encontra a ele subordinada. Vai além da execução mecânica da tarefa, requer discernimento e compromisso profissional.

Com relação às questões éticas, faz-se necessário conhecer o que diz a Resolução COFEN n. 225/2000, que dispõe sobre cumprimento de prescrição medicamentosa/terapêutica a distância:

Art. 1º - É vedado ao Profissional de Enfermagem aceitar, praticar, cumprir ou executar prescrições medicamentosas/terapêuticas, oriundas  de qualquer Profissional da Área de Saúde, através de rádio, telefonia ou meios eletrônicos, onde não conste a assinatura dos mesmos.

Art. 2º - Não se aplica ao artigo anterior as situações de urgência, na qual, efetivamente, haja iminente e grave risco de vida do cliente.

COFEN, 2000.

É imprescindível, portanto, que a enfermagem possua visão ampliada do sistema de medicação e de cada um dos seus processos e, principalmente, que dê garantias de segurança e qualidade a esse processo, que está sob sua responsabilidade. Cabe aos profissionais envolvidos buscar informações a respeito do fluxo de suas atividades, sobre os problemas existentes com o ambiente e com os recursos humanos, assim como conhecimento sobre os fármacos, as interações medicamentosas, entre outros, contribuindo para que a terapêutica medicamentosa seja cumprida de maneira eficiente, responsável e segura.

IMPORTANTE!!!

A Resolução da Anvisa, n. 45/2003, dispõe sobre o Regulamento Técnico de Boas Práticas de Utilização das Soluções Parenterais (SP) em Serviços de Saúde.

Segue abaixo alguns aspectos importantes desta norma:

3.1.1. A responsabilidade pelo preparo das SP pode ser uma atividade individual ou conjunta do Enfermeiro e do farmacêutico.
[...]

3.2.2. O Enfermeiro é o responsável pela administração das SP e prescrição dos cuidados de enfermagem em âmbito hospitalar, ambulatorial e domiciliar.

3.2.3. A equipe de enfermagem envolvida na administração da SP é formada pelo Enfermeiro, técnico e/ou auxiliar de enfermagem, tendo cada profissional suas atribuições específicas em conformidade com a legislação vigente.

3.2.4. O Enfermeiro deve regularmente desenvolver, rever e atualizar os procedimentos escritos relativos aos cuidados com o paciente sob sua responsabilidade.

3.2.5. O Enfermeiro deve participar e promover atividades de treinamento operacional e de educação continuada, garantindo a atualização da equipe de enfermagem.
[...]

3.2.16. O Enfermeiro deve participar da escolha do acesso venoso central, em consonância com o médico responsável pelo atendimento ao paciente, considerando as normas da Comissão de Controle de Infecção em Serviços de Saúde.
[...]

3.2.19. É responsabilidade do Enfermeiro estabelecer o acesso venoso periférico, incluindo o Cateter Central de Inserção Periférica (PICC).
[...]

3.2.30. É da responsabilidade do Enfermeiro assegurar que todas as ocorrências e dados referentes ao paciente e seu tratamento sejam registrados de forma correta, garantindo a disponibilidade de informações necessárias à avaliação do paciente, eficiência do tratamento e rastreamento em caso de eventos adversos.

BRASIL, 2003.

Vias de Administração de Medicação

Via Oral (VO)


Nessa via, os medicamentos podem ter a apresentação de comprimidos, drágeas, cápsulas ou de líquido. Eles são absorvidos, principalmente, no estômago e intestino. Contraindicada à pacientes com náuseas, vômitos, diarreia ou aqueles que tenham dificuldades para engolir. Esses medicamentos devem estar em sua embalagem original, contendo nome, data de validade e lote. Para pacientes com sonda nasogástrica ou sonda nasoenteral, a orientação é diluir o medicamento e após, lavar a sonda para evitar obstrução.

Via Sublingual (SL)


As mucosas situadas na região sublingual são altamente vascularizadas por capilares sanguíneos, motivo pelo qual sua absorção é altamente eficaz. Em comparação com a via oral, sua absorção se dá de uma forma muito mais rápida, devido ao contato quase que direto com os capilares sanguíneos situados sob a língua. 

Via Intradérmica (ID)


Nesta via, os medicamentos são administrados na pele (derme). É uma via muito restrita, usada para pequenos volumes (de 0,1 a 0,5 ml), reações de hipersensibilidade, como prova tuberculínica cutânea e sensibilidade de algumas alergias. O local de aplicação mais utilizado é a face interna do antebraço.
É também utilizada para a aplicação de BCG (vacina contra a tuberculose), sendo de uso mundial a aplicação ao nível da inserção inferior do músculo deltoide.

Via Subcutânea (SC)


Na via subcutânea ou hipodérmica, os medicamentos são administrados debaixo da pele, no tecido subcutâneo. Nesta via a absorção é lenta, através dos capilares, de forma contínua e segura. Usada para administração de vacinas, anticoagulantes e hipoglicemiantes. O volume não deve exceder 1 ml.

Via Intramuscular (IM)


A administração via intramuscular permite que você injete o medicamento diretamente no músculo em graus de profundidade variados. É usado para administrar suspensões e soluções oleosas, garantindo sua absorção em longo prazo. Devemos estar atentos quanto à quantidade a ser administrada em cada músculo. É necessário que o profissional realize uma avaliação da área de aplicação, certificando-se do volume que esse local pode receber.
Atenção: não se esqueça que esse volume irá depender da massa muscular do cliente, quanto menos a dose aplicada, menor o risco de possíveis complicações.

Via Endovenosa (EV)


É a administração de medicamentos diretamente na corrente sanguínea através de uma veia. A administração pode variar desde uma única dose até uma infusão contínua. Como o medicamento ou a solução é absorvido imediatamente, a resposta do cliente também é imediata. A biodisponibilidade instantânea transforma a via EV na primeira opção para ministrar medicamentos durante uma emergência.

Locais mais utilizados para punção venosa:

Região do Dorso da Mão:
  • Veia basílica;
  • Veia cefálica;
  • Veia metacarpiana dorsal.
Região dos Membros Superiores:
  • Veia cefálica;
  • Veia cefálica acessória;
  • Veia basílica;
  • Veia intermediária do cotovelo;
  • Veia intermediária do braço.
Acesso Venoso Periférico



Anotar a localização, o tipo de acesso, o dispositivo venoso utilizado e o tempo de permanência, para controle de troca de acordo com as normas instituídas pela Comissão de Infecção Hospitalar e orientação do fabricante. Importante ainda anotar se existe presença de sinais flogísticos.

Importante ainda registrar as complicações locais (caso ocorram), como:
  • Hematoma - descoloração da pele, edema e relato de desconforto ao redor da inserção do dispositivo;
  • Flebite - dor no local, eritema ou edema sem endurecimento, cordão fibroso não palpável;
  • Tromboflebite - fluxo de infusão lento, edema em membros, veia sensível, presença de cordão fibroso, local quente ao toque, eritema acima do local de inserção do dispositivo;
  • Infiltração - pele fria e tensa ao redor da inserção do dispositivo, edema, estagnação de retorno sanguíneo pelo dispositivo ou retorno de fluido rosa claro, velocidade lenta de infusão;
  • Extravasamento - tensão na pele, pele fria e pálida, infusão lenta ou estagnada, edema da extremidade afetada.
Outro ponto fundamental a ser registrado é se o acesso está sorolizado (salinizado), heparinizado ou com infusão contínua, bem como o tipo de curativo (fita hipoalergênica, filme estéril transparente).

Acesso Venoso Central


Anotar a localização (subclávia, jugular, etc.) e o tipo de procedimento (intracath, flebotomia, port-a-cath, etc.), tipo de cateter (duplo, triplo lúmen, etc.), se existe presença de sinais flogísticos (exsudato, hiperemia, rubor, calor), o tempo de permanência, o indicativo de infecção da corrente sanguínea (tremores, sudorese, confusão mental, etc.), as complicações locais (hiperemia, flebite, infiltração, edema, queixas álgicas, etc.) e os produtos utilizados no curativo da inserção do cateter.

Erros de Medicação

Apesar dos inquestionáveis avanços na área da saúde, a ocorrência de erros continua ameaçando profissionais e a vida de pacientes. Frequentemente são divulgados pela imprensa casos que envolvem erros relacionados à medicação, ocorridos em diversas situações hospitalares, ambulatoriais e domiciliares, servindo de alerta para que a sociedade se conscientize de que os erros podem ocorrer e devem ser discutidos.

Quando ocorre um erro, o ponto mais importante não é quem o cometeu, mas sim analisar os processos de trabalho, como e porque o sistema de defesa falhou. Na área da saúde, principalmente para a Enfermagem, a análise do processo que possa ter acarretado o erro tem papel de destaque. Quanto mais se discute e se rastreia o erro, mais chances haverá para que novos modelos de processos sejam implementados.

A consequência imediata é a dificuldade de identificação do erro, pois o erro ocorrido é velado por todos que nele estão envolvidos. Esta atitude perante o erro parte de uma visão individual e considera a falha humana como a única causa para ocorrência do erro, pois ações punitivas individuais, que hoje são aplicadas, em nada favorecem a mudança dos processos de trabalho. Muito pelo contrário, propiciam cada vez mais que estes eventos sejam velados.

Cabe ao Enfermeiro o planejamento das ações de enfermagem, seja disponibilizando recursos materiais adequados e seguros, seja capacitando a equipe de enfermagem ou promovendo condições tanto ambientais como de trabalho adequadas para o desempenho das atividades, garantindo segurança para o paciente.



** Texto obtido do Programa de Aprimoramento Profissional - Proficiência (Conselho Federal de Enfermagem - COFEN)

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